quarta-feira, 22 de maio de 2013

JACQUES BONNET: UM BIBLIÓFILO

Jacques Bonnet, bibliófilo, tradutor e editor de livros na França, oferece ao leitor que ama bibliotecas, livrarias e derivados deliciosos ensaios sinestésicos sobre a arte de colecionar os grandes clássicos da literatura. São pequenos relatos em que Bonnet comenta casos muito peculiares, ocorridos na Europa, em sua incansável tarefa de procurar publicações raras. Conforme o autor é direito do bibliófilo não ler alguns livros, adiar de forma tortuosa o prazer de se deixar levar por alguns autores, enquanto se dedica com afinco a reler tantos outros que lhe marcaram. Em tempos de virtualidades, o exemplar de Fantasmas na Biblioteca - a arte de viver entre livros é para aqueles que não resistem a sensação do toque, do cheiro, e do som da página virando para sentirem-se vivos.

Dom Casmurro, de Machado de Assis, é citado no capítulo intitulado "De onde vêm". Ele é caracterizado pelo autor como "um tesouro esgotado", descoberto por Christian Torell na minúscula livraria francesa Ombres Blaches. Bonnet ainda provisiona seus exemplares para leitura na velhice. Sua lista vai de As correspondências, de Voltaire, passando por As mil e uma noites até chegar O Capital, de Marx. Confessa sua paixão pelo livro Casa de Papel, do argentino Carlos Maria Dominguéz e Por uma Biblioteca Ideal, livro fetiche de  Raymond Quenau. Há ainda a sessão dos cafés literários e tantas outras curiosidades sobre escritores e livros. Por exemplo: Fernando Pessoa tentou ser bibliotecário, mas não foi selecionado na entrevista para emprego.

Aliás, falando em bibliotecas e bibliotecários, a dica de Jacques Bonnet para organizar o acervo de um bibliófilo é no mínimo curiosa. Ele aconselha a fugir das classificações óbvias (CDD-CDU) e partir para o mapeamento das sensibilidades do proprietário. Uma solução um tanto perigosa, mas não menos deliciosa para quem gosta de estar "entre os livros". 


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