sexta-feira, 25 de março de 2011

OS LIVROS E O MUNDO


Há um divisor de águas na vida de qualquer um. Um antes e um depois, margem a ser transposta. Para mim, esse momento é a alfabetização. Aos nossos mestres que nos alfabetizaram, minha devoção eterna. Sou lhes grato, muitíssimo. Lembro da minha professora primária, a profe Aracy. Era muito pacienciosa, ajudava a segurar o pesado lápis com as mãos, nos dava colo, um monte de carinhos, nos levava para passear na biblioteca. Sim, biblioteca era lugar de passeio e não de castigo. E foi lá que tomei o gosto pela coisa.

Em casa também tinha um grande incentivador: meu avô. Não fez faculdade, foi pouco a escola, mas adorava ler, principalmente as enciclopédias Barsa e do Estudante. E foi de lá que tirou uma história que não esqueço até hoje, a do filósofo Giordano Bruno. Queimado pela inquisição, ele defendia a tese de que era a terra que girava em torno do sol e não o inverso. Meu avô fazia toda uma encenação sobre essa história e sempre repetia a mesma quando eu solicitava. Às vezes, se isolava com os livros e lá ficava por horas e eu só o observando. Era autodidata. Bons tempos.

E quando leio o maior educador do Brasil, Paulo Freire, falar sobre seu primeiro contato com as letras, não há como não me emocionar com o lirismo que brota do ato de amar os livros. Dizia ele: "fui alfabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo e não do mundo maior do meu país. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz." É uma das mais belas imagens poéticas que conheço. E você, qual o seu amor pelos livros?

Um comentário:

Jana disse...

os livros são a minha realidade mais doce.