sexta-feira, 27 de junho de 2008

(DES)APEGO

Acho loucura me aventurar pela poesia com tanta gente talentosa por aí, mas aí vai um fluxo de palavras que surgiu durante uma aula, uma de muitas viagens interiores das mais belas... E por força da Adriana, uma colega muito criativa, registro minha primeira, de talvez muitas....



Computador
Carro
Confusão
Caos
Deleta!
Televisão
Telefone
Trafego
Tentação
Turn off!
Roupas
Relógio
Razão
Rixas
Doa!
Vai!
Livra-te desse obtuso jeito
American way life
de ser.
Limpa-te!
Sente o vento
purificar até as entranhas
Espanta o medo.
Vive!
Comunga com o teu presente
Que é o bem mais valioso
Que podes ter.

CONSPIRAÇÃO DE NUVENS

Um livro de crônicas e memórias. Despretensioso e leve, a obra Conspiração de Nuvens (Editora Rocco) de Lygia Fagundes Telles é uma reunião das melhores reminiscências da autora. São cerca de 20 pequenos registros da vida desta célebre escritora brasileira que detém um estilo único, reunindo palavra e afetividade de maneira exemplar. As memórias de Lygia registram desde a infância no interior de São Paulo junto à mãe pianista, contadora de histórias românticas, até a companhia do pai, um funcionário público com pretensões artísticas de quem herdou a vocação literária. O livro também conta como a autora se envolveu com o movimento do artistas cariocas e paulistas nos anos setenta que foram a Brasília entregar uma carta de repúdio à censura imposta no governo Geisel (e nesse ponto o avião que os levava parece cair devido a uma tempestade, a verdadeira conspiração das nuvens). Também está lá a ligação da escritora com Erico e Mafalda Veríssimo, sua admiração pelo nosso maior escritor gaúcho. Perpassa pela escrita de Lygia um misto de nostalgia, encanto, lirismo, comédia, leveza, mas acima de tudo compaixão pelo outro, um livro que transborda vida pelas palavras e pelos afetos. Vale a pena ler essas memórias em que até as nuvens conspiraram a favor.

terça-feira, 24 de junho de 2008

SÃO PAULO, CIDADE CINZA



O centro de São Paulo é cinza, sujo, antigo e não menos fascinante. A foto acima é de um domingo pela manhã, proximidades da Praça da República. Como as manhãs de domingo de qualquer metrópole nacional, a cidade parece mais humanizada, menos entulhada de carros e lixo. É possível perceber uma arquitetura mesclada por edifícios da década de 60 e 70, ainda com suas fachadas preservadas. Com a nova lei que proibe cartazes e outdoors, a cidade ficou mais limpa, porém mais cinza. As cores de São Paulo são as pessoas que transitam a pé pela região central. Há de tudo: adolescentes, crianças, pedintes, idosos passeando com seus cães, gente indo trabalhar no domingo e notívagos voltando da boemia. Abaixo uma das pérolas da arquitetura de Oscar Niemeyer, o edifício Copan, construído em 1961.



São 32 andares que abrigam 1160 apartamentos, com cerca de cinco mil moradores. Olho para cima e intrigado penso como deve ser viver nessa grande edificação, tombada pela prefeitura. Conta-se que o síndico do edifício tem um salário maior que o prefeito de São Paulo para manter a ordem e o convívio entre os habitantes. Há apartamentos de todos os tipos. Nos blocos A, D e E ficam os maiores, enquanto o C e B abrigam os kitinetes. Há pessoas de todos as classes e identidades morando lá. Muitos artistas, mas também famílias. É uma moradia síntese de Sampa, cidade múltipla. Fico enfeitiçado pensando "como seria viver ali?"




O metrô de São Paulo é um dos mais limpos e organizados do mundo. Nele você não vê os camundongos passeando pelos trilhos, como é comum em Londres, ou aquele lixo espalhado, misturado a fezes de cachorro, em alguns pontos do metrô de Paris. Leva algum tempo para você se organizar quanto aos itinerários (é necessário perceber sempre a última estação para conseguir chegar ao seu destino). O metrô de Sampa é o grande médico da cidade. Graças a ele, ela respira, senão já teria convulsionado. É possível ver arte também. A pintura abaixo está localizada num painel enorme na estação da Praça da Sé. Retrata o espírito do trabalho que paira em Sampa, o empreendedorismo de seus trabalhadores na construção da maior cidade da América Latina.


SÃO PAULO CULTURAL



São Paulo não vive só de gastronomia, shoppings e arranha-céus. É também uma capital cultural onde se pode conhecer um pouco da história do Brasil. A foto acima é da Estação da Luz, local onde, além de uma bela arquitetura, hospeda uma estação de trem e também o cultuado Museu da Língua Portuguesa que já acolheu exposições de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Gilberto Freire. Atualmente expõe material relacionado às comemorações dos cem anos da imigração japonesa no Brasil. A Estação da Luz também já foi cenário de minisséries e novelas, pois é uma volta ao tempo numa cidade moderna e cosmopolita como Sampa

No mesmo quarteirão ainda pode-se visitar a Pinacoteca, com exposições fixas e temporárias. Prédio Histórico, é possível conferir lá os trabalhos dos intrépidos e inesquecíveis modernistas. Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti marcam presença, embora com poucas obras, o que frustrou profundamente este que vos escreve.




Abaixo, os jardins da Pinacoteca ao lado do Parque da Luz.



segunda-feira, 9 de junho de 2008

CINE DESIGN TERROR



Os professores Rodrigo e Ramiro Pissetti (a moda dos irmãos Coen) organizam neste sábado, dia 14 de junho, a IIª Edição do Cine Design, na Faculdade da Serra Gaúcha. O tema do encontro será filmes de terror. Inicialmente serão mostrados trechos de clássicos como Exorcista, Poltergeist, Nosferatu e Drácula e de filmes B famosos, como Ataque dos Vermes Malditos, A Morte do Demônio, Casa do Espanto e Hellraiser. O encontro abordará o tratamento limístrofe entre o filme de terror e os filmes B, bem como a estética que permeiam as obras. Farão parte do debate, professores de diversas áreas do conhecimento, cinéfilos e comunidade em geral. Este que vos escreve também estará lá. O encontro acontecerá a partir das 13h, no auditório da instituição.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Clarice Lispector - para uma sexta-feira chuvosa



"... Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si."