domingo, 4 de maio de 2008

Um pouco de Hilda Hilst - sugestão da Jéssica

Se for possível, manda-me dizer:
- é lua cheia, a casa está vazia
manda-me dizer, e o paraíso
há de ficar mais perto, e mais recente
me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
tão longo como a noite.
Se é verdade
que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
de alguns peixes rosados
numas águas
e dos meus pés molhados,
manda-me dizer:
- é lua nova
e revestido de luz
te volto a ver.

Um comentário:

Jessica disse...

"Que canto há de cantar o que perdura?

A sombra, o sonho, o labirinto, o caos

A vertigem de ser, a asa, o grito.

Que mitos, meu amor, entre os lençóis:

O que tu pensas gozo é tão finito

E o que pensas amor é muito mais.

Como cobrir-te de pássaros e plumas

E ao mesmo tempo te dizer adeus

Porque imperfeito és carne e perecível



E o que eu desejo é luz e imaterial.



Que canto há de cantar o indefinível?

O toque sem tocar, o olhar sem ver

A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.

Como te amar, sem nunca merecer?"

(Da Noite - 1992)

Adorei!!!
Dá uma olhada lá:
http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html#poesia